Capítulo 4.
Eu fiquei parada por alguns minutos, apenas escutando as palavras de novo, e de novo em minha mente. ‘Parabéns, você vai ser mamãe’ ele havia dito. Mas isto nunca ocorreu depois de apenas uma relação sexual entre nossa espécie! Não que isso seja impossível, mas já estar grávida, assim tão rápido, só comprova que somos companheiros verdadeiros! Eu viro minha face para minha barriga e coloco minha mão sobre meu ventre.
-Oh, meu Deus! – e começo a chorar.
-O que foi? Você ainda não queria um bebê meu? – Diz Leon preocupado e um pouco ferido com a ideia.
-Não é isso, amor! – digo o abraçando – Esse é o dia mais perfeito de minha vida!
-Que bom! – diz ele emocionado – achei que estava chorando porque ainda não estava pronta para ter este pequeno! – ele pousou sua mão em cima da minha.
-Nunca mais pense isso! Nossos filhos serão sempre bem vindos e amados...mesmo sendo tão inesperado quanto este ou esta!
-E espero que ainda venham muitos... mas sabe o que é? – diz ele com um olhar quente – ainda tenho uma vontade enorme de ter você...
E não falamos mais nada. Não foi preciso. Todo o amor que sentíamos um pelo outro foi demonstrado por nossos corpos, em uma dança mais antiga que o próprio mundo. Mas desta vez foi lento, doce e cheio de carinho.
**********************************************************************
Acordei me sentindo estranha. Meu cheiro estava estranho, mas senti braços aconchegantes ao meu redor e um peito forte, mas que eu me encaixava perfeitamente me servindo de travesseiro. Então senti o cheiro de Leon e me lembrei da noite passada.
-Bom dia anjo! – disse ele dando um beijo na minha testa.
-Bom dia! Há quanto tempo está me observando dormir? – eu disse bocejando.
-Há algum tempo! Quer café na cama? – disse tirando o cabelo dos meus olhos.
-Nãh! Tenho que levantar e ver os bebês da Maria.
-Então tomamos banho e depois tomamos café antes de ir pra clinica?
-Claro!
Então assim fizemos. Tomamos banho juntos, ele com todo o cuidado e carinho, sempre acariciando minha barriga. Depois preparou ovos mexidos com bacon que amo no café da manhã, junto com meu chá gelado e suco de laranja. Leon sempre foi um ótimo cozinheiro, mas esta manhã ele tinha se superado. Comemos amigavelmente, conversando e brincando um com o outro. Foi como se fizéssemos isso há anos.
Fomos para a clinica e todos da manada perceberam o que estava acontecendo. Passei o dia sendo parabenizada pelo bebê. Assim como Leon. Para um emparelhamento recente, estava tudo ocorrendo rápido demais. Ele já possuía meu cheiro junto com o dele e eu o nosso, junto com o cheiro de mulher grávida.
Depois da clinica (e de ficar fazendo planos com Maria, que me ajudaria com o chá de fralda do bebê), eu fui resolver outras questões do bando. O dia passou rápido, almocei apenas uma comida leve que Leon me trouxe na cede do bando e passei o resto da tarde pensando em nomes para os bebês. Já havia até me esquecido da reunião com o clã de Pierre, quando o relógio soou sete badaladas. Eles chegaram pontualmente e a secretária avisou que eles haviam chegado pelo telefone.
-Espere um minuto que vou avisar Leon e deixe-os entrar.
Assim liguei para ele que prometeu estar lá em 3 minutos. Uma batida soou na porta.
-Entre. – eu disse levantando.
-Boa noite! – disse Pierre com um sorriso todo dentes nos lábios. – Espero não estar interrompendo nada.
-Na verdade, não. Mas Leon logo estará aqui para irmos para casa, então vamos resolver isso logo.
Eu falei com um pouco mais de irritabilidade na voz do que o necessário, mas havia algo em Pierre que me deixava inquieta. Ele apenas assentiu, mas ainda sem retirar o sorriso do rosto.
-O que exatamente trouxe o seu bando aqui?
-Você soube que estão matando sobrenaturais e eu achei que vocês poderiam nos dar abrigo, assim poderemos proteger uns aos outros.
-Acho uma boa ideia, mas você sabe que sou contra vocês se alimentarem diretamente do recipiente... – eu disse sorrindo.
-Quanto a isso, pode ficar tranquila, Lize. Meu clã é muito rico, portanto sempre compro nosso alimento de banco de sangue. Não bebemos diretamente de humanos há muitos séculos.
-Isso é bom. Mais do que nunca agora precisarei de apoio e espero contar com o seu.
Neste instante Leon chegou, me tirando da posição meio sentada em cima de minha mesa e me dando um beijo super quente para provar sua posse sobre mim.
-Desculpe interromper, mas já fiquei longe dela o dia todo. – disse ele se virando para o vampiro. – Pierre... – disse cumprimentando o vampiro.
-Leon. – disse ele, já sem seu sorriso no rosto. – Voltando ao assunto, porque você precisa de apoio mais agora do que nunca? – disse ele preocupado.
-Porque eu e ela começamos a nos emparelhar ontem! – disse Leon todo animado. – E ela já conseguiu conceber nosso primeiro filho. Não vê o odor diferente que emana dela? – disse ele com alegria pura e passou a mão em minha barriga.
-Sim. – disse ele, seus olhos com pura dor. – Mas fiquem tranquilos! – disse se levantando. – Nem ela nem esta criança sofrerão um dano sequer. Antes morrerei os protegendo. Bem, até logo então.
E assim saiu.
-Bem, - eu disse – pelo menos ele está do nosso lado.
-É o que parece. Vamos embora!
E assim fomos.
**********************************************************************
Isso não era possível. Seu amor, seu único e grande amor, emparelhada com outro e ainda por cima depois de apenas uma noite grávida. Isso era o inferno na terra. Mas ele prometeu a si mesmo na noite anterior que não deixaria de lutar e assim faria.
As arvores na floresta passavam com um borrão pela face de Pierre. Ele mal via por onde andava, mas mesmo assim chegou a fazenda sem problemas. Trancou-se em seu quarto e sua ira era tão grande que começou a quebrar algumas coisas de sua suíte.
Ana veio depressa ao meu quarto, afinal de contas estava preocupada e era como a irmã que nunca tive.
-O que aconteceu na reunião, Pierre? – disse ela preocupada.
-Eles estão emparelhando! – disse quase gritando.
-Bem, você sabia que isso ocorreria....
-Ela já está grávida! – eu a interrompi com um berro em seguida e jogando um abajur contra a parede.
-Mas isso não pode ser! Eles mal dormiram uma noite juntos....
-Parece que tudo é diferente com essa manada, ainda mais porque a alfa é fêmea... Pior ainda, ela têm dois companheiros destinados e já havia escolhido ao outro! Deus só pode estar curtindo com a minha cara! Será que cometi tantos pecados assim que não posso ter nem uma companheira só minha? Poxa, eu só queria poder amá-la pra sempre, mas ao meu lado e olha o que ganho? Ela nem sequer pensou nessa possibilidade!
Pierre ficou se lamentando toda a noite, pensando em como poderia ser lindo eles dois juntos e como seria maravilhoso a mistura de duas espécies em Lize. Mas, do nada, ele sente uma pontada em sua cabeça, e do nada, começa a escutar um pensamento. Algo estava se passando, mas não poderia ser possível. Apenas companheiros que se aceitavam mutuamente poderiam escutar as mentes um do outro. Se isto estava ocorrendo, é sinal de que Lize estava pensando na opção que ele a havia dado, ou, como ele suspeitava, ela estava correndo um grande perigo.
Um grito de agonia em sua mente o fez sair correndo de sua casa. Algo estava terrivelmente mal com ela e ele precisava saber o que era. Faltava uma hora para o sol nascer, mas ele não se importou com isso, faria qualquer coisa para a salvar e proteger.
Quando chegou lá, Leon estava desacordado sendo segurado por dois vampiros que não eram familiares a Pierre. Um terceiro estava quase perto de Lize, mas ele estava mais próximo. Ele tirou ela do caminho e logo, com um simples movimento, quebrou o pescoço do vampiro. Os dois tipo que seguraram Leon o levaram correndo pelas portas. Pierre tentou segui-los, mas eles entraram em um carro sem placa e saíram cantando os pneus.
Ele voltou se desesperando, pois Lize estava com sinais de cansaço extremo e curvada próxima ao chão.
-Você está bem? – perguntou ele. Ela assentiu. – E o bebê? – perguntou com voz mais preocupada ainda.
-Estamos bem, respondeu ela. – Só precisamos de ar. E de saber onde raios estão esses idiotas levando o pai dele. – disse acariciando a barriga.
-Eles não disseram nada?
-Apenas que o chefe deles achavam que nós dois juntos poderíamos causar grandes estragos para os planos dele. Que deveriam eliminar pelo menos um de nós.
-Bem, ele levaram Leon, mas eu lhe juro que eu vou encontra-lo.
E ele prometia a sério. Pra ver ela feliz, ele faria qualquer coisa. Até encontrar aquele com quem ela era emparelhada e devolver ao lado dela. Mas lá no fundo, bem lá no fundo em uma parte menos bondosa dele, que todo ser tem, ele torcia para que ele nunca fosse encontrado para ter uma chance com sua amada.
-Vamos, você tem que dormir, deve estar cansada. – disse ele preocupado. – E em seu estado não deve se preocupar e nem fazer esforço, ou poderá prejudicar o bebê.
-Vamos aonde?
-Para meu rancho. Chame seus homens. Estará mais segura lá comigo e os meus e com eles, só por garantia, até que termos certeza que estará bem.
Eu a peguei no colo, para irmos mais rápido. Ela estava tão pensativa que não discutiu e nem protestou.
-Por que se preocupa tanto por meu bebê? – perguntou de repente.
-Não acho que seja a melhor hora para falarmos disso!
-Por favor, eu preciso saber!
-Tudo bem. – disse para distraí-la. – Como deve ter percebido, você também é minha companheira destinada, aquela que poderá viver comigo pela eternidade. Bem, este bebê é parte de você, tem um metade sua. Então eu o quero e o amo como se fosse meu, o que não sei se seria possível. Mas só por ele ser seu eu já o quero bem. Mas também tem a simples questão que você também o ama, eu não posso ir contra a algo que você ama. – Tirando Leon, disse ele mentalmente.
-Obrigado! – disse ela e seu aconchegou em meu peito.
Era a sensação mais maravilhosa do mundo ter ela tão perto de mim. Sentir o seu cheiro, me acalmava e me deixava louco ao mesmo tempo, mas de desejo por esta mulher. Oh, como a queria para si. Mas ele esperaria por ela, afinal tinha todo o tempo do mundo para a fazer ver que ele era o seu amor eterno.
**********************************************************************
Chegamos a fazenda de Pierre. Ele insistiu que eu dormisse em um quarto que possuía uma porta que dava diretamente ao seu quarto. Ele disse que qualquer problema, deve-se apenas o chamar, não importando a hora. Eu assenti e ele se recolheu. Mas eu não pude dormir. Não com tudo que se passava em minha mente. Eu estava com medo por Leon, com os nervos a flor da pele de preocupação por meu bebê e com os sentimentos confusos pelo Pierre. Meus homens já estavam lá fora e resolvi ficar sentada na varanda após fazer chá gelado. Um de meus homens vem correndo ao meu encontro por volta das 10 horas. Reconheço como um do grupo que enviei para verificar minha casa.
-Alguma novidade, Sam?
-Deixaram um recado pra você!
Ele me entrega um envelope com apenas algumas palavras:
Lize,
Sinto lhe informar, mas você e Leon como um casal são fortes demais. Eu tive que o matar. Tome cuidado, pois você poderá ser a próxima, junto com a criança em seu ventre. Não irá demorar até nos encontrarmos.
P.
Tudo que saiu de minha garganta, foi um grito horrorizado....

0 comentários:
Postar um comentário