Trio de Sangue - Capítulo 6

| sábado, 18 de dezembro de 2010

Capitulo 6.

Eu estava tentando ser forte para não afetar meu filho. Mas era quase impossível. Isso junto com o simples fato da grande atração que estava sentindo por Pierre. Mas não seria certo, eu dizia pra mim mesma. Bem, na verdade eu estava mais tentando me convencer. A única coisa que me mantem sobre controle é ele agora. E ele está sendo tão bom pra mim e pro meu filho. Chegamos a cidade, a cede da matilha. Estava lotada de gente, todos esperando apenas por mim para começar a cerimonia.
Tio Stevan Estava com uma cara séria, sem outra expressão além desta. Mas eu tinha certeza que ele estava sofrendo tanto quanto eu por dentro. Fui cumprimentada por muitas pessoas, todas me dando os pêsames. Me mantive firme o máximo que pude, mas Pierre estava lá para me auxiliar. Quando tudo passou, a cerimonia foi simples, como eu esperava. Após, minha manada, que hoje estava com cerca de 52 membros, esperava a atualização de tudo o que ocorreu.
-Bem, - eu disse a todos em voz alta e em frente a eles. – como vocês sabem, eu e Leon estávamos começando a nos emparelhar e mesmo assim já havíamos concebido uma criança em apenas uma noite. – eu passei a mão em minha barriga e aqueles que ainda não acreditavam por não haverem sentido meu cheiro soltaram a respiração, assustados. – E como vocês já devem saber fomos atacados ontem a noite. Eu sai um pouco ferida, mas Leon tentou me defender e acabou desmaiado e levado. Se não fosse por Pierre, eu também seria levada. – eu sorri para o vampiro, que me devolveu um sorriso todo dentes que eu amava. – Bem, um tal de P. me mandou um recado hoje pela manhã falando que Leon estava morto e que logo ele virá atrás de mim e de meu filho.
Tentei transmitir a Pierre o que queria contar a eles enquanto o olhava e soltei um bufo de ar quando eu escutei claramente em minha mente dizer que podia lhes contar que éramos companheiros.
*Como isso é possível? – perguntei em minha mente.*
*É porque somos companheiros, só isso!*
*OK!* - respondi.
-Bem, - chamei a atenção de todos de novo. – vocês sabem o quanto sempre fui diferente. Afinal de contas, estou aqui sendo líder de vocês. Mas não creio que sejamos apenas nós os atacados. Sugiro que juntemos forças com os outros sobrenaturais da região. A começar pelos vampiros.
-Mas não sabemos se podemos confiar neles. Eles estão a poucos dias aqui. – disse alguém ao fundo.
-Vocês sabem que Leon era meu companheiro destinado, mas não completamos o emparelhamento. Bem, o que vocês não sabem, é que o vampiro aqui presente, Pierre, também é meu companheiro destinado. Pode ser muito apressado, mas ele ofereceu auxilio a mim e meu filho, que ele prometeu amar e cuidar como dele. E eu estou disposta a aceitar.
-Isso é impossível! – gritou uma moça perto da porta. – Não pode haver dois companheiros para alguém, ainda mais um que seja vampiro.
-Na verdade pode. – disse Tio Estevan, falando pela primeira vez. – Há relatos da história de nosso povo que falam que isto acontece, que é raro, mas acontece.
Eu estava mais preocupada com a cara de alegria de Pierre do que com as palavras de Estevan. Mas mesmo assim eu as escutei e entendi.
-O que houve com eles? – perguntei.
-Ela escolheu com quem ficaria, ou quando não podia, eles brigavam até a morte. – respondeu ele secamente. – como não pode haver mais briga e você tem que se proteger, acho que é justo deixar o pequeno ter um pai, mesmo que seja um vampiro.
-Você me dá sua benção tio?
-Eu quero que você seja feliz filha! Se meu filho não pode mais fazer isso, que seja seu companheiro então. E alguém que possa amar realmente meu neto!
-Bem, então está decidido. Vamos nos juntar com todos os outros sobrenaturais e nos defendermos de seja lá quem é esse P. Agora preciso descansar.
-Onde você vai ficar? – perguntou Estevan.
-Acho melhor ela ficar comigo até tudo passar. – disse Pierre falando pela primeira vez. – Ele falou que virá atrás dela. Se tiver vampiros e lobos a defendendo, terá mais chance de ela escapar. No estado em que ela se encontra, não vai conseguir se defender muito bem. Ela também não poderá se transformar daqui a 4 meses e terá que ser protegida!
-Ei eu posso me cuidar sozinha e ....         
-Eu sei que pode carinho. – me interrompeu ele, mas me olhou com carinho. – Mas logo não poderá trocar para não afetar o bebê! E eu estarei lá para os proteger. – disse vindo ao meu lado e acariciando minha barriga.
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Eu ainda não acreditava no que escutei. Ela afirmou a todos que ficará comigo. Que será minha, como serei dela. E ainda por cima tinha essa criança, que eu ajudarei a educar e a amar. Está tudo indo tão perfeito! Ana tinha razão, tudo vai dar certo.
-Você decidiu rápido se quer ficar comigo. – eu comentei enquanto corria pela floresta a levando pra casa.
-Não tem muito o que decidir! Você é meu companheiro, isso aconteceria cedo ou tarde e eu gosto de facilitar as coisas. – disse ela me sorrindo.
-Isso me faz tão feliz... – disse a abraçando ainda mais perto de mim. Ela estava sendo carregada como se fosse um bebê de colo.
-Mas não vai se animando muito. – disse ela com um sorriso. – ainda temos que nos acostumar. Sem contar a questão do horário. Os vampiros não dormem durante o dia ou algo assim?
-Isso é mito. Temos os horários de sono como o dos humanos. Apenas temos uma alergia a luz solar, por isso preferimos viver a noite e dormirmos algumas horas durante o dia. – disse e nós dois gargalhamos.
Nisso chegamos em casa. Todos os outros estavam acordados.
-E então? – pergunta Victor.
-Ela aceitou meu pedido e irá ficar conosco até tudo isso passar.
-Você está bem, coração? – pergunta Ana vindo em direção a Lize com todo aquele instinto maternal dela.
-S..sim...apenas muito estresse. Obrigado por se preocupar, Ana.
-De nada, querida. Ei, você lembra meu nome! – disse Ana maravilhada.
-Boa memória! – disse Lize sorrindo e batendo o indicador na cabeça.
-Vai descansar mais Pierre. – disse Jose. – Nós levaremos comida pra você no quarto em 10 minutos.
-Vem amor.- eu disse.
Levei ela ao quarto. Eu a deitei na cama e fiquei a fazer massagem em seus pés. Ela tinha pés perfeitos, um pouco grandes para a altura dela que era por volta de 1.70, mas mesmo assim, lindos, perfeitos. Ela toda era perfeita. Cabelo castanho avermelhado, olhos verdes penetrantes, que não possuíam o contorno da íris escuro como a maioria. Corpo em forma, seios fartos e o mais importante, seu jeito meigo e firme ao mesmo tempo. Pelos céus, como amo essa mulher!
Ela me olhava com um olhar cheio de carinho. Cheio de algo mais que isso, cheio de ... eu não sabia o que era. Mas tinha mais ali que carinho. Nisso, Jose chegou com uma bandeja com macarronada e chá gelado.
-Hum...parece apetitoso. – disse ela pra Jose. – Mas como adivinhou o chá gelado? – perguntou confusa.
-Pergunte a Pierre. Mas agora vou deixar vocês a vontade. André pediu pra ver se quer que pegue suas roupas em casa.
-Fala pra ele que agradeceria muito! Já que vou ficar aqui, pode trazer minhas roupas, não sabemos quanto tempo vai demorar pegar esses caras.
-Tá então, estou indo com ele agora pegá-las. – e saiu.
-Como soube que eu gosto de chá gelado? – perguntou ela comendo uma garfada de macarrão. – Hum.., isto está divino!
-Não sei se devo te contar...
-Por favor!! – pediu com olhar de cachorro que caiu da mudança.
-Ai,ai, o que você não me pedi que consigo resistir de fazer! – sorri pra ela. – eu tenho te observado, só por garantia de segurança.
-Você estava lá na noite em que eu e Leon.... – ela ficou vermelha.
-Só no começo, na parte da conversa.
Na verdade, aquela noite tinha sido bem difícil pra mim. Escutar ela se declarando pra ele foi complicado. Eu fiquei muito furioso ao ver o que eles iam fazer, mas não tinha como impedir.
-Entendo... – disse ela. – deve ter sido difícil pra você aquela noite!
-Na realidade foi muito difícil. Pense que eu estou a muito tempo sem encontrar aquela que me é destinada. Quando a encontro é para vê-la nos braços de outro. Logo eles começam a se acasalar e na primeira noite já está grávida. Quando soube da criança, juro que quis sumir da face da terra...
-Não diga isso. – disse ela angustiada. – Não faça isso nunca! Você não pode deixar esse mundo, eu não suportaria. Primeiro foi Leon. Se algo acontecer a você, eu morreria... – disse ela em um principio de choro, colocando a bandeja de lado.
-Ei! – disse abraçando-a e acariciando seu cabelo. – Eu nunca vou te abandonar! A tempos eu não tenho vontade de viver, eu apenas sobrevivi todos estes séculos pelo meu clã. Mas agora, você e esta criança me deram algo pelo que viver. E nunca mais pense nisso1 Vou mover céus e terra antes de ter que te deixar...
Eu fiquei olhando para aqueles olhos verdes. Ela era tão linda, tão delicada. E finalmente descobri o que via naqueles olhos: eu via amor! Fiquei tão emocionado quando ela disse que ficaria comigo, mas agora eu estava tão feliz e emocionada que quase chorei de tanta alegria. Encostei minha bochecha no topo de sua cabeleira ruiva. Ficamos assim por muito tempo até que lembrei a ela que tinha que comer.
Ela comeu tudo, logo após apareceu Ana com duas malas de roupas dela e ela foi tomar banho no banheiro que ficava em meu quarto. Ana preparou um banho de banheira com espumas e essências de flores que ficou com um cheiro divino.
-Como está nossa garotinha? – perguntou Ana amorosamente.
-Não está tão mal! Logo logo ela estará 100%.
-Bem, assim espero. Mas notei que o olhar dela já não é tão triste.
-Sim, ela aceitou-me. Mesmo eu sendo o que sou. E Ana...- hesitei um pouco antes de falar. – posso estar enganado, mas vi amor por mim nos olhos dela.
-Eu também notei isso, carinho.
-Você acha que há possibilidades de Leon estar vivo?
-Não sei! – ela disse, - Mas eu e Victor estamos saindo pra investigar. Quem quer que esteja tentando machucar ela e o bebê se verá comigo! – disse com bastante raiva. Antes de sair acrescentou. – Cuide bem dela. Ela vale ouro!
E então se foi.
Lize saiu logo em seguida do banheiro, limpa, cheirosa e arrumada. Deu um grande bocejo e veio se enroscar em meus braços, deitados na cama. Fiquei tão feliz com a reação dela e por algum tempo ficamos assim, só sentindo o contato um do outro. Não precisamos de palavras.
-Você já quer dormir? – perguntei a ela.
-Ainda podemos ficar mais um pouco acordados? – perguntou ela com cara de sono.
-Sim, eu com certeza vou ficar acordado, já que a noite é meu dia, mas você pode ir dormir se quiser, cuidarei de você.
-É que na verdade quero ficar um pouco mais com você. Dói menos quando está perto.
-Então tire o tempo que precisar! Mas não esqueça que tem que dormir para dar saúde pro pequeno.
-Tudo bem, só mais alguns minutos então.
-Você pode cantar algo pra mim? Sua voz é tão bonita! Queria ouvir algo de você esta noite.
-O que deseja ouvir?
-Algo que você goste! – disse ela rapidamente.
-Deixe-me ver... - e pensei, realmente pensei em algo bonito, que parecesse com ela ou então conosco. Então, lembrei da música Iris do Goo Goo Dolls (http://www.youtube.com/watch?v=NdYWuo9OFAw) do filme cidade dos anjos que é muito linda e que gostava muito. Sem contar que fala exatamente do que sinto e faria por ela.
-♪ And I'd give up forever to touch you
-Pode ir traduzindo pra mim? – perguntou ela. – Sou melhor em espanhol.
-Vou traduzindo parte por parte.
-Ok, pode continuar.

-♪ And I'd give up forever to touch you
Cause I know that you feel me somehow
You're the closest to heaven that I'll ever be
And I don't want to go home right now

-E eu desistiria da eternidade para tocá-la
Pois sei que você me sente de alguma forma
Você é o mais próximo do paraíso que chegarei
E eu não quero ir para casa agora

-♪ And all I can taste is this moment
And all I can breathe is your life
Cause sooner or later it's over
I just don't want to miss you tonight

-♪ E tudo que eu sinto é este momento
E tudo que eu respiro é sua vida
Porque mais cedo ou mais tarde isso acabará
E eu não quero sentir sua falta esta noite

Ela começou a bocejar. Eu achei melhor deixar ela dormir.
-Bem mocinha, acho bom você ir dormir!
-Só uma pergunta antes? – disse ela olhando nos meus olhos. - Bem duas contando com esta.
-Tudo bem.
-Por que você resolveu cantar esta musica?
-Porque mostra tudo que um homem faria por alguém que ama. Eu já te amo mais do que minha vida, mais do que o ar que nos cerca, mais do que tudo neste mundo. Ele só rivaliza com o amor que já sinto por este pequeno. – e coloquei a mão em sal barriga. – Ele já é tão importante pra mim...e só existe há dois dias. Mas eu o amo.
-Obrigado. – disse ela com um sorriso amoroso. – Melhor ir dormir ou ganharei bronca de Ana amanhã. Boa noite.
Ela se virou para me dar um beijo. Quando virei meu rosto para ela beijar minha bochecha, ela segurou minha face, olhou bem em meus olhos e me beijou.
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Nas sombras, alguém observava a cena e ódio corria por suas veias.
-Vamos ver quanto tempo irá durar sua felicidade e desse sangue suga.
Virou-se e saiu disparado pela noite.

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