Capítulo 5.
Pierre ao escutar meu grito de horror saiu correndo de seu quarto e parou a porta para analisar por que eu realmente estava assim. Ele não podia sair, o sol estava alto e eu não consegui responder pra ele. Levantei e entreguei o papel pra ele. Ele leu e em seu rosto eu vi ódio puro dirigido a este tal de P. que estava me fazendo sofrer tanto. Ele me puxou para um abraço apertado dentro da casa. Eu chorava em seus braços. Não conseguiu fazer nada além de ficar ali alinhada em seu peito e soluçar em meio às lágrimas. Nunca havia chorado em minha vida. Esta foi a primeira vez. E eu jurei que seria a última.
-Você está bem? – perguntou preocupado.
-Não, mas vou ficar. – disse olhando em seus olhos.
-Eu estarei aqui para te ajudar. Sempre estarei.
-Eu sei... – eu disse. E eu realmente sabia. Eu sempre soube que ele estaria lá por mim desde o dia anterior, quando pousei os olhos nele. Eu não sabia explicar, mas realmente isso era estranho.
-Pessoal! – gritei para meus homens. – Preparem o funeral simbólico de Leon. Não há o porquê adiar isso.
-Por q a pressa? – pergunta Pierre.
-Não podemos nos dar ao luxo de ficar muito tempo distraídos com esses preparativos. E – disse acrescentando um resto em sussurro só para ele escutar. – não sei se vou suportar muito tempo aguentando firme essa situação. Me promete uma coisa? – perguntei me ajeitando mais em seus braços.
-Tudo que quiser! – disse ele com todo carinho.
-Fica comigo pra me dar forças? Não sei se vou suportar...
-Não precisa pedir duas vezes. – disse ele com um sorriso caloroso nos lábios.
-E quanto a você? Quem irá te proteger enquanto nós arrumamos tudo?
-Ela vai ficar aqui comigo. – disse Pierre. – Eu e meu clã a protegeremos e ao bebê. Com nossas vidas, se for preciso.
E assim eu fiquei o resto do dia dormindo junto a ele em sua cama, enquanto ele cantava musicas antigas e calmantes para que meu sono fosse tranquilo e com ele perto eu realmente me sentia protegida.
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Ele acordou em um lugar sombrio e escuro. Não sabia ao certo onde estava, mas tinhas suas suspeitas. Leon estava assustado por Lize e o bebê. Mas não a vendo por perto, assumiu que pelo menos ela pudesse ter escapado. Ele fez uma prece silenciosa para que o maldito vampiro cuidasse dela agora que ele não poderia. Mas ele tinha esperanças de sair desta e poder ficar com ela e o bebê. Ele só esperava que não desse tempo o suficiente dela se apaixonar pelo sangue suga. Ele aprendeu a lição muito tarde. Mas agora ele sabia que não deveria se envolver com gente do tipo de P.
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Ela estava aqui finalmente. Em sua cama, dormindo em seus braços. Ele não podia acreditar em tudo que aconteceu em apenas um dia. Uma causa que lá no fundo ele achava perdida dá um giro de 180º e ela vai parar com ele. Ele a admirava enquanto ela dormia e cantava canções de ninar. No inicio ela ainda estava tensa, mas depois foi relaxando até pegar no sono. Ele fez um juramento nessa hora que nunca poderia mudar: ele jurou que a amaria pra sempre e a protegeria, não importa o que acontecesse, não importa se o cachorro peludo que ela chamava de parceiro e que foi muito fraco para protegê-la estava vivo, ele ficaria ao seu lado. E acima de tudo, ele amaria essa criança como se fosse sua. Ele estaria ao seu lado para educa-la. Ele a amaria como um pai ama a um filho, o amor que ele daria a um filho próprio, que ele nem sabia se er possível dar a ela.
Ela se remexeu neste momento e se acomodou a ele, em seu peito para dormir. E pareceu tão confortável pra ele, tão....certo. Eles dois assim juntos deste jeito...é tão perfeito.
Ele poderia ficar o resto da eternidade com ela assim...
Ele não sabe quanto tempo passou, mas ela acordou e com olhos sonolentos se virou pra ele e lhe deu um sorriso que fez com que ele sentisse um nó na garganta. Ele percebeu que ela já começava a gostar dele de alguma forma, já sentia carinho. Ele ficou emocionado, afinal ao contrário do que todos pensam os vampiros também sentem. Eles apenas não são vivos, de certa forma.
-Bom dia...ou boa noite.... ou algo do tipo, não sei se vocês vampiros tratam a noite como dia. – disse ela fazendo careta.
-Nós tratamos como noite também. – eu disse sorrindo. – Dormiu bem?
-Muito. Não dormia bem assim há algum tempo. Sempre há tantos problemas na manada...
-Bem, agora você não pode se estressar tanto assim, fará mal ao bebê. Ou então tem que ter alguém te ajudando com tudo.
-Bem, quem me ajudava com isso era Leon, mas ele não tinha muito tempo... – ela disse se abraçando mais a mim para conter sua dor e esconder uma lágrima em seu rosto.
-Ei, - eu disse carinhosamente levantando seu rosto. – não precisa esconder sua dor de mim. Você sempre poderá contar comigo. E eu posso te ajudar com tudo até o pequeno nascer.
-Você realmente me ajudaria com isso? – disse ela com um pouco de assombro no olhar. – Eles não são seu problema e nem sua gente.
-Se eles são sua gente, também serão minha, se permitir é obvio. – disse e dei um sorriso todo dentes pra ela. – Mas poderia te ajudar muito mais se permitir. – não resisti comentar.
-Como assim? – pergunta ela confusa.
-Se quiser, e eu disse apenas se quiser eu posso te ajudar com a criança. Posso dar um nome a ela e te ajudar. Prometo que serei o melhor pai que ela pode ser.
-Eh...
-Não precisa responder agora! – eu a interrompi. – Mas pense bem nisso. Eu nunca vou retirar minha oferta. Ela sempre estará d pé para você!
-Ok! – disse ela.
Nesse momento seu estomago deu um ronco alto e ela ficou muito vermelha.
-Ops! – disse ela e gargalhamos juntos.
-Desculpe. – falei. – Eu esqueci que os lobos precisam se alimentar com mais frequência que humanos e mais do que eles por causa de seu metabolismo acelerado. Ainda mais agora que tem que comer por dois!
-É verdade. Tenho que me cuidar mais agora.
-Vamos ver se conseguimos algo para comer na cidade e sabermos como foi o enterro.
E assim fomos.

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