Trio de Sangue - Capitulo 2

| quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
Capítulo 2.

            Na ida para meu rancho com Leon, ele estava muito quieto. Acho que estava pensativo sobre o vampiro Pierre. Estava procurando em minha mente algo que o mante-se ocupado e longe desse pensamento.
            -Como foi seu dia hoje na clinica, querido? – perguntei.
Leon era médico, e dos bons. Mantinha uma clinica que atendia tanto humanos quanto lobos e outras espécies. Ele ajudou a vários do bando a se formarem e trabalharem com ele.
- Bem, a cirurgia do Jorge de remoção da bala foi um sucesso. Espero que agora ele tome mais cuidado com os caçadores.
-Bom, eu acho quase impossível. Em seus 19 anos de vida já levou 3 tiros. Isso porque ele se transforma há apenas 2 anos. Esse menino não tem escrúpulos! – digo com um tom de preocupação em minha voz.
-E você, o que fez hoje? – diz ele me olhando nos olhos. Em seu olhar, eu vi todo o amor que ele vem me dedicando há anos.
-O mesmo de sempre. Mas fui também a clinica ver os bebês da Maria. Infelizmente, você estava na sala de cirurgia.
-O que achou dos pequenos? – disse ele esperançoso já estacionando em frente de casa.
-Você sabe o quanto amo crianças. Achei a menina super agitada e o menino super preguiçoso. Isso me fez lembrar do Lorenço. – digo com tristeza.
Lorenço era meu irmão gêmeo e assim como os gêmeos de Maria, minha mãe falava que eu nasci agitada e ele preguiçoso. Crescemos muito unidos e, sendo filhos únicos do alfa, sempre fomos muito pressionados. Como sempre foi raro achar seu verdadeiro companheiro, aqueles que possuíam filhos varões no bando exigiam que meu pai escolhesse um para me emparelhar. Mas minha família sempre seguiu seus costumes e um deles era o emparelhamento de verdadeiros companheiros. Meu pai só havia encontrado a minha mãe quando fez uma viagem para visitar este bando onde o alfa era seu amigo quando possuía 43 anos e minha mãe 38. Papai a levou com ele e nos conceberam. Quando tinha 9 anos, nosso bando foi atacado por um vizinho para se apoderar de nossas terras. Apenas eu e mamãe conseguimos escapar. Foi aí que viemos ao Brasil.
-Eu sinto muito, Li! – disse Leon me tirando de minhas lembranças e me abraçando.
-Não é sua culpa, sim? Vamos sentar na varanda.
Andamos abraçados até o balanço da varanda. Sentei ao seu lado e coloquei minha cabeça em seu peito, ele me amparando e esfregando minhas costas.
-Assim, achou os bebês bonitos? – disse ele com um brilho em seus olhos.
-Lógico! Eles são lindos e fofos. Cheguei até a perder a hora pra encontrar com Jholl.
Jholl, Jonatan na verdade, era um grande amigo nosso.
-E quando teremos os nossos? – sua pergunta foi em tom de brincadeira, mas eu sei que falava sério.
Eu estava pensando muito sobre isto ultimamente e já tinha a resposta pronta, que ele não esperava, obviamente.
-Espero que logo!
-Eu sei que vai falar que não têm certeza que somos companheiros e ... – ele deu um pulo assustado em seu assunto e me afastou só o suficiente para olhar para mim. Seus olhos estavam emocionados. – O que, eu escutei direito?
-Oh, sim, escutou.
-Mas o que fez você mudar de opinião? – disse confuso.
-Já te explico. Antes vou buscar chá gelado. Quer?
-Sim.
Fui e voltei correndo, trazendo uma jarra cheia e dois copos. Sempre o mantinha pronto na geladeira. Servi-nos e sentei ao seu lado.
-Explique. – pediu ele desconfiado.
-Antes me responda algo. O que sentiu quando me viu pela primeira vez?
Ele pensou em pouco e depois disse:
-Era como se todo o resto não existisse e senti uma grande vontade de te proteger. Também senti algo que não entendi até a disputa e que descobri que era amor e não apenas carinho.
-Pois nunca te contei, mas sempre senti o mesmo, mas nunca o entendi porque era muito nova quando tudo aconteceu. Mamãe não teve tempo de me explicar como funciona! – fiz careta.
-Sei que foi difícil crescer sem sua mãe. E mais difícil comigo e com meu pai quando a perdeu aos 13 anos. – disse e gargalhou.
-Tio Estevan ainda faz os melhores nachos que conheço! – disse sorrindo olhando em seus olhos. – E sabe que sempre gostei de morar com vocês. E não me interrompa se não, não te explicarei nada.
-Tudo bem! – ele fez sinal que passava um zíper na boca, trancou e jogou a chave fora.
-Como estava te explicando antes de me interromper falando mal do seu pai, que com certeza contarei tudo quando o for visitar amanhã, eu também não sabia o que sentia por você até a disputa. Eu não estava com medo de te enfrentar. – disse baixando os olhos ao meu colo. – Eu estava com medo de te machucar. Depois disso foi difícil me acostumar a verdade e foi por isso que decidi mudar de sua casa. É difícil se acostumar a idéia de que alguém que foi criado junto a você seja seu verdadeiro companheiro! – disse fazendo careta.
-E o que faremos agora? – perguntou em um sussurro, sua voz cheia de emoção.
-Agora, - disse olhando em seus olhos – eu acho que é hora de nos assumirmos e começarmos o emparelhamento.
O emparelhamento constitui em um ano vivendo juntos e se adaptando. Durante este tempo os corpos de ambos vão se adaptando a mescla dos odores dos dois, juntando e formando um odor que apenas os dois e seus filhos possuirão. Geralmente a fêmea fica grávida no processo e seu útero só produzirá filhos do sêmen de seu parceiro. Também passamos por outras mudanças variadas, que não vou entrar em detalhes.
-Concordo! – disse ele sorridente. – Se não houver um vampiro, com nome francês e metido a besta tentando nos separar...
-Sei que você notou como me olha!
--Sabe como são os vampiros! Assim como nós, veem sua companheira apenas uma vez e sabem que é ela. E não gostei nem um pouco de como te olhou. Teremos que ficar de olhos abertos!
-Sim, mas por enquanto não pensemos nele. Que tal fazermos algo melhor? – disse sorrindo maliciosamente.
Ele me deu um selinho e me olhou com olhos cheios de desejo.
-Tipo o quê?
-Hum....! – fingi pensar um pouco. – Que tal encaminharmos o primeiro neto de Lorenço?
-Hum... acho uma ótima idéia!
Ele me pegou no colo e entrou na casa fechando a porta com chave atrás de nós e me levando escada acima ao meu quarto.

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